Alimento para mim

 


Alimento para mim

Menina, onde tens andado?

Esqueceste o chamado?

Esqueceste o presente? 

Perdeste-te de novo para a mente?

Estás a deixar os medos vencer-te?

Sente-te.

recebi dois presentes.

Pela porta surgiram 

O tempo e o vento para um diálogo ressurgiram(?)

Abrandei o pensamento, reencontrei-me como o momento

Pousaram em mim

Do meu lado esquerdo tenho o tempo que me diz: descansa

Na minha frente tenho o vento que diz: atenta 

Mas descansam os dois, na sua plenitude, no presente do momento.

Meu côco e Kurama, minhas crianças que me relembram o tempo e o vento.

Regressos do mistério, do oculto.

Brincadeiras e testes com a força de ambos os reinos 

Vivo no meu reino

Embrulhada nas minhas teias

Afugento-me

Fujo de mim, sem meias.

Minhas palavras são feitiços

Regresso ao meu processo 

Ao poder de minha lama, quanta lama

Olho para os meus bichinhos, atento minha criança que brinca com eles.

Atento minha guerreira, abraço meus defeitos

Meu padrão, será que a minha rota é esta espiral?

Regresso a mim

Desta vez, de frente com a solidão

Meu vácuo 

Meu vazio

Destituída estou

Despovoada de mim me sinto

Na profundeza deste espaço mergulho

Regressei ao ciclo vicioso.

Meu limiar

Acude meu pesar

E assim,

Reencontrei-me com a solitude

E desta vez, sem fugir de mim

Desta vez, de meias.

Brinde à vida e suas epopeias!

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