Resiliência



 A força é constante

Por dentro, a força é linear e segue o percurso de me abrigar enquanto me sinto a sufocar.

Sufoco várias vezes por dia, por vezes parece que esqueci o fluxo orgânico do simples ato de respirar. Por vezes, não sei como respirar.

A ansiedade ultrapassa-me os vários sentidos, o único sentido que se faz ecoar é a força gritante que diz: estás segura, ninguém mais te pode fazer mal, abrigo-te e amo-te, regressa a mim passinho a passinho, respira por passinhos.

Cada vez mais entendo a profundidade de um trauma no corpo. Nem se trata da memória mental, mas sim a memória corporal. O meu corpo ainda não sabe diferenciar o espaço onde se encontra, o meu sistema nervoso diz às minhas células que ainda estamos lá, bem presas naquele poço que nos roubou a infância, bem presas nas palavras de um “alguém” que decidiu oferecer e programar a criança a ser fragmentos de si própria. 

A força é a minha raiz. Desde sempre que a tive que ter, desde sempre que me abriga.

Os últimos cinco anos foram de flutuação, pensei estar resolvida. Eis que ela regressa em potência máxima.

Como se cuida da dor que interfere com a vida quotidiana aos 25 anos? 

Com uma vida para viver, quando toda a memória corporal me coloca numa posição de sobrevivência? 

Racionalmente, eu sei que está tudo bem, mas emocionalmente e instintivamente? Bem… o balanço eterno será esse. 

Estou cansada de sobreviver, estou cansada de regressar sempre a este poço.

Estou cansada, mas a força guia-me.

Obrigada a ti, minha força, minha eu, minha Inês.

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