Sobre estar:


Estou mais em mim
Oscilo, fujo de mim.
Porém, mais em mim.
Atenta.

Atenta à minha constituição
Focada na minha fundação
Sou minha, minha salvação.

Uma chama arde em honra à lua
Em honra a mim.
Quão orgulhosa estou de mim.

Sinto-me num espaço, ora carnal, ora mental
Ora espírito, ora físico
Por vezes rítmico, por vezes artificial

Resgato a intemporalidade
Aceito minhas necessidades
Cuido delas
Cuido de mim
Estou atenta.

Sabes quem mais atento está, Inês?
O tempo.
Esse não dorme
Vive na dualidade
Na noite, no dia
No vazio, no cheio
No sabor, no dissabor
No compasso, em qualquer estado.

Esse,
Esse! 
Meu amigo, meu inimigo
É o grande testemunha do meu crescimento.
Não me repreende, não me chama
Não me impõe, ilude.
Esse!
Verdadeiro guia que escuta.
Dá-te colo
Acolhe-te
E finalmente, entendes seu poder.
É contínuo, impermanente.
Sussurra-te: Cabe-te a ti, alinhares-te, focares-te na tua constituição.

Pois o tempo, apesar de atento
Mão espera por ti. Não espera por ninguém.
E eu que tanto esperei por mim
Na primavera me encontrei
Na primavera me apaixonei
Por ti oh tempo.

Não importa! Não importa quantas nuvens negras passem por mim
Não importa a intensidade dos nevoeiros

Garanto-me o foco e atenção na intenção
Minha disciplina, minha manutenção.
Sei que o futuro está a observar-me onde eu mesma vou levar-me
E a todos os padrões que me acompanham.

Vejo os frutos, e antes deles, as flores.
Pé na terra.
Pé no sol
Braços nas cores
Braços no raio
Coração na lua
Cabeça nas estrelas
Criatura
Bicho
Loba
Mulher
Outra coisa qualquer.



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